Com mais de 4,3 milhões de atendimentos e procedimentos desde 2020, unidade alia assistência especializada pelo SUS à avaliação contínua dos serviços
Por Roberta Paraense
21/10/2026

Para Maria das Graças, de 74 anos, moradora do bairro da Sacramenta, em Belém, o resultado do acompanhamento na Policlínica Metropolitana do Pará aparece na própria rotina: mais qualidade de vida. Atendida pela neurologia desde 2023, após encaminhamento pelo serviço pós-Covid, ela conta que o acesso aos exames contribuiu para orientar o tratamento. “Atendimento excelente, não tenho do que reclamar”, afirma. Ao definir sua experiência, resume: “A Policlínica tem um SUS de qualidade”.
Histórias como a de Maria ajudam a apresentar o alcance de um serviço que contabilizou 4.314.316 atendimentos e procedimentos entre janeiro de 2020 a setembro de 2026. Administrada pelo Instituto de Saúde Social e Ambiental da Amazônia (ISSAA), a unidade, em Belém, manteve nesta semana a acreditação da Organização Nacional de Acreditação (ONA) Nível 2 — Acreditado Pleno.
O reconhecimento acompanha uma trajetória de avaliação dos processos assistenciais e de gestão. Na rotina dos usuários, esse trabalho se relaciona à organização do atendimento, à continuidade do acompanhamento e às condições oferecidas para investigar problemas de saúde e definir tratamentos.
Mais de 4,3 milhões de atendimentos e procedimentos
Nesses 6 anos e 9 meses de funcionamento, a Policlínica realizou 907.021 consultas, 3.398.507 exames e 8.788 pequenas cirurgias. Somente de janeiro a setembro deste ano, foram registrados 416.604 atendimentos e procedimentos, distribuídos em 99.223 consultas, 316.703 exames e 678 pequenas cirurgias.
Por trás desse volume estão pessoas com diferentes necessidades de saúde. A professora Sandra Mendonça, de 70 anos, moradora do Curió-Utinga, em Belém, encontrou na unidade acompanhamento em Cardiologia e Gastroenterologia. Encaminhada pela regulação, ela passou por três atendimentos ao longo dos últimos meses e destaca a agilidade nos agendamentos.
“Pude cuidar melhor da minha saúde”, relata. Ao avaliar o percurso da recepção às consultas, atribui nota máxima ao serviço: “Dez, todos muito prestativos”.
Para Ruth Quadros, de 67 anos, moradora de Ananindeua, o acompanhamento representa a possibilidade de esclarecer o problema de saúde que motivou a busca por assistência. Em tratamento para a coluna há um ano e meio, ela chegou à Policlínica por meio da Usina da Paz e aponta a informação correta e clara como um diferencial do atendimento.
Acolhimento e respeito
A diversidade do público atendido também se expressa no acompanhamento de Rafaelly Nicolly dos Santos, de 37 anos, técnica de enfermagem e moradora do bairro de Batista Campos, em Belém. Encaminhada por uma unidade de saúde, ela recebe assistência relacionada à transição de gênero há oito meses.
Rafaelly avalia o atendimento como ótimo e relata que o acompanhamento contribuiu para sua autoaceitação e para a autonomia nas próprias escolhas. Outro aspecto importante, segundo ela, é encontrar um espaço de convivência com pessoas que compartilham experiências e objetivos semelhantes.
Acreditação
A trajetória de acreditação da Policlínica Metropolitana começou em março de 2024, com a conquista da ONA Nível 1. Em janeiro de 2025, a unidade passou pela primeira auditoria de manutenção, que avaliou 50% dos processos da organização.
Em dezembro do mesmo ano, após uma autoavaliação e um diagnóstico interno, a instituição avançou para o Nível 2. Na ocasião, foram auditados 100% dos processos. Agora, em outubro de 2026, a primeira auditoria de manutenção desse nível voltou a avaliar 50% dos processos, com a permanência da acreditação.
A Policlínica Metropolitana representa uma estratégia de saúde que deu tão certo que esse modelo de assistência especializada foi levado a outras regiões do Pará, como Carajás, Baixo Amazonas e Lago de Tucuruí. “A manutenção da acreditação ONA Nível 2 reforça esse compromisso com a qualidade. Buscamos certificações é um princípio de gestão: significa avaliar continuamente os processos, preparar as equipes e fortalecer a segurança da assistência oferecida a cada usuário do SUS”, destaca Manuel Moreira, presidente do ISSAA.
Entre os requisitos considerados conforme na avaliação do atendimento ambulatorial estão a identificação do perfil assistencial, o dimensionamento de profissionais, tecnologias e insumos conforme as necessidades do serviço, a capacitação das equipes e o planejamento da assistência. Também foram avaliadas a manutenção e a calibração dos equipamentos, além da organização do agendamento e do acompanhamento da demanda.
“A Poli Metropolitana tem um papel estratégico na rede estadual ao oferecer consultas, exames e procedimentos especializados pelo SUS. A acreditação ONA é uma avaliação externa da qualidade e da segurança dos serviços, e a manutenção do Nível 2 reconhece a integração entre a gestão e as equipes assistenciais. Para a população, isso representa um atendimento orientado por processos avaliados, com foco na segurança, no acolhimento e na continuidade do cuidado”, destaca Anderson Albuquerque, diretor da Policlínica Metropolitana.
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