Hospital Galileu

Hospital Galileu alia acreditação de excelência e reconhecimento científico em cinco anos de gestão do ISSAA

Manutenção da ONA Nível 3, intercâmbio profissional e metodologia apresentada em congresso internacional refletem o trabalho pela qualidade e segurança na assistência 100% SUS

Por Roberta Paraense

20/10/2026

Conferir a identificação antes de administrar um medicamento, avaliar o risco de queda e verificar informações essenciais em cada etapa de uma cirurgia. No Hospital Público Estadual Galileu (HPEG), na Grande Belém, o compromisso com a qualidade se traduz em cuidados que fazem parte da rotina dos profissionais e ajudam a proteger quem depende da assistência pública. Ao longo de cinco anos de gestão do Instituto de Saúde Social e Ambiental da Amazônia (ISSAA), esse trabalho sustentou a manutenção da Acreditação ONA Nível 3 — Acreditado com Excelência — e ganhou espaço em encontros científicos nacionais e internacionais.

 

Nesse período, o hospital passou por cinco avaliações externas anuais, mantendo o nível mais alto da metodologia brasileira de acreditação hospitalar. O reconhecimento expressa a maturidade da gestão, a integração dos processos e a continuidade das práticas de qualidade e segurança do paciente.

A diretora executiva do HPEG, Paula Narjara, destaca que esse resultado é sustentado por um modelo de Governança Clínica que reúne protocolos assistenciais, gestão de riscos, educação permanente e acompanhamento de indicadores, especialmente os relacionados aos desfechos clínicos.

“Não basta instituir protocolos: é fundamental avaliar sua adesão, identificar desvios e transformar dados em decisões e melhorias efetivas na assistência”, afirma.

Na prática, isso significa acompanhar como as orientações são executadas, identificar fragilidades e mobilizar as equipes para corrigi-las. O trabalho envolve profissionais das áreas assistenciais, administrativas e de apoio, com auditorias, análise de notificações de incidentes e acompanhamento das medidas adotadas.

A enfermeira Kelly Souza, do Núcleo de Qualidade e Segurança do Paciente (NQSP), também destaca que treinamentos, campanhas, simulações realísticas e trilhas de aprendizagem gamificadas ajudam a aproximar os protocolos das situações vivenciadas pelas equipes.

“Na identificação do paciente, por exemplo, a conferência dos identificadores antes da administração de medicamentos, da realização de exames e de procedimentos contribui para reduzir o risco de falhas”, detalha.

O acompanhamento também contempla a cirurgia segura, a prevenção de quedas e de lesões por pressão, a profilaxia de tromboembolismo venoso e o Plano Terapêutico Individualizado. Em agosto de 2026, o 23º Ciclo de Auditoria de Riscos abrangeu 45 processos mapeados, permitindo identificar oportunidades de aperfeiçoamento.

Cada oportunidade identificada passa por análise conjunta entre o NQSP e os setores responsáveis. As ações são formalizadas com responsáveis, prazos e critérios de acompanhamento, incluindo a verificação de sua execução e dos resultados alcançados.

“O objetivo é identificar oportunidades de aperfeiçoamento do processo, e não apenas responder pontualmente à ocorrência”, ressalta Kelly.

Conhecimento desenvolvido no SUS

Além da manutenção da acreditação, a experiência do HPEG alcançou espaço no debate internacional sobre qualidade em saúde. Em outubro de 2025, o estudo “Qualitometer Audit: A Tool for the Development of Corporate and Clinical Governance in a 100% SUS Hospital” foi apresentado no congresso da International Society for Quality in Health Care (ISQua), em São Paulo.

Conforme Paula Narjara, que também é especialista em Gestão da Qualidade e Segurança do Paciente, o estudo esteve entre cinco selecionados, de milhares de trabalhos submetidos, para uma apresentação oral de 30 minutos. Desenvolvida no contexto de um hospital integralmente dedicado ao SUS, a ferramenta permite diagnosticar a maturidade da governança corporativa e clínica, desenvolver competências gerenciais e orientar decisões baseadas em evidências.

A diretora relata que o trabalho recebeu elogios da pesquisadora Siobhan McCarthy, vinculada à Universidade de Oxford, que destacou seu potencial para o desenvolvimento dos profissionais e o fortalecimento da Governança Clínica.

“Essa experiência demonstra que o SUS não apenas aplica conhecimento científico: também desenvolve metodologias capazes de contribuir para a gestão da saúde em âmbito internacional”, avalia a gestora.

 

Assistência cirúrgica

A assistência cirúrgica especializada também foi destaque no evento “SBCT com Você – Belém/PA”, promovido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica nos dias 21 e 22 de agosto de 2026. No segundo dia, o HPEG sediou a programação presencial, com realização e transmissão ao vivo de três cirurgias de traqueia, acompanhadas por especialistas de diferentes localidades.

Ainda de acordo com a diretora, a atuação das equipes recebeu elogios da médica Paula Ugalde, da Harvard Medical School, em Boston, nos Estados Unidos. Para a gestora, a experiência evidencia a capacidade de um hospital 100% SUS de oferecer assistência especializada e compartilhar conhecimento com a comunidade médica internacional.

Trocas e aprendizado

A troca de experiências integra a estratégia de qualificação do hospital. O HPEG recebe, em média, cinco visitas técnicas de benchmarking por ano, nas quais profissionais e instituições conhecem práticas assistenciais e gerenciais, compartilham soluções e discutem oportunidades de melhoria.

Em outubro de 2026, estudantes da Universidade do Estado do Pará (Uepa) e do Instituto Federal do Pará (IFPA) visitaram a unidade para conhecer iniciativas de sustentabilidade, especialmente a gestão de resíduos e as ações de responsabilidade social junto a coletores de materiais recicláveis.

A educação permanente também é estimulada pelos simpósios científicos promovidos pelo ISSAA. Três edições já abordaram temas como alta confiabilidade, cuidado centrado no paciente, liderança e compliance em saúde. A mais recente reuniu quase mil profissionais e abriu espaço para trabalhos científicos sobre melhorias desenvolvidas nas unidades administradas pelo Instituto. A quarta edição está em preparação.

Para Paula, a participação em congressos e o intercâmbio com outras instituições precisam repercutir na assistência, subsidiando a revisão de protocolos, o aperfeiçoamento dos processos e o desenvolvimento das equipes.

“O conhecimento científico só alcança seu verdadeiro propósito quando se transforma em melhores práticas, maior segurança e melhores desfechos para os pacientes”, afirma.

 

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